sábado, 14 de janeiro de 2012

Sonho II

O ataque começou pela zona sul do país. Todo o estado do RS foi completamente tomado em poucos minutos e a população rendida sem dificuldade. Os insetos precisavam de apenas alguns segundos para tomar a forma de um ser humano de autoridade ou com a força necessária para conter as rebeliões inúteis dos dominados. Derrubaram prédios e destruíram instalações especializadas para lidar com emergências como aquela. Mas na realidade, ninguém estava preparado. Nenhum ser humano havia cogitado a possibilidade de uma revolta daquele tamanho. Subindo a fronteira entre Paraná e São Paulo, eles formaram duas grandes frentes de ataque, abrindo passagem à força, deteriorando quem se opusesse. Quando chegaram no interior do estado de SP, numa cidade relativamente pequena, um grupo destacou-se e tomou o rumo de uma casa antiga, com uma das janelas abertas. Uma mulher observava. Ela não se surpreendeu. Ela não se opôs. Ela abriu os braços e aceitou de bom grado o destino que arrebentou as portas e janelas do lugar que a acolheu durante anos, mas nunca foi sua casa e não podia protegê-la nem dos insetos, nem da fôrma de carne e ossos que a castigava e limitava.

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